1 de maio de 2011

Possibilidades


E que fique muito mal explicado.
Não faço força para ser entendido.
Quem faz sentido é soldado.” 
Mário Quintana

Posso ser teu desencanto de unha, tua alcunha
Não a tua cunhã
Posso ser, veja, tudo o que me não adivinhares
Sou esse buquê único de milhares, flores-dores
Não erva de baixo arbusto
Meu busto será esculpido em mármore casto
Embebido pelo sêmen dos homens cabareicos
Ao lá se apoiarem com suas musas de rua
Serei anjo de catacumba
Sem bater macumba em dia de lua cheia
Posso ser, ainda, o assombro do verão
A primavera de mal-me-quer em tufão
E o inverno, fria feito o eterno
Sendo morte e sobre-vida
Tendo sorte, em contrapartida
Sem afugentar um nobre coração
Posso estar sóbria sendo levedura
Posso sentir ternura enquanto esfaqueiam minha calma
Sou cara de tapa, casa de taipa
Sou cabana, abracadabra
Que abana rabo de belzebu
Posso ser o cru da carne
O cu da coragem
O azul da fome
Posso ser teu nome, teu clone
Mas eu sou mais que colagem

2 comentários:

Jânio Lima disse...

Sensacional! Sensacional! "Posso sentir ternura enquanto esfaqueiam minha calma" maravilha a última vez que li uma frase tão solida e edificante, aliás o poema inteiro está maravilhoso. A imagem também é bela, mas o poema roubou as atenções. Te aceitei como amigo abraços.

Paola Benevides disse...

Honrada fico e, em troca de palavras, teu blog sigo. Abraços outros, sejas sempre bem-vindo!