3 de fevereiro de 2007

INtensa, HiMENsa e FIM

Essa tensão interior advém de onde? De repente o que era botão, larva recolhida de borboleta mórbida, transforma-se em pétala voadora que bate dentro do peito e só falta sair pela boca. Há dias em que falo pouco, calo-me no talo porque me sabem melhor os que lêem os lábios do ocular, querendo oscular a vertigem do mundo pintado de colorido sensualado.

Como mal vês, não consigo sempre ser tão clara. Janelas têm cortinas para homenagear sóis em segredo. Já fui mais pálida e gélida antes, o aquecimento global agora vem trazendo um calor desumano que dispensa adivinhações futuras. Deduz-se hoje através do medo. Dá na mesma, todos sabem da morte vindoura de um jeito ou outro. Pior mesmo é reconhecer o assassínio cometido em massa contra a própria natureza e persistir na mortandade. Vamos derreter em puro êxtase!

Nessas horas queria ser barata ou pedra, somente para existir longevidrada na geração seguinte. Dinossauros, humanos, extra-terrestres invasores do planeta água em busca de sede vacante? Minha igreja não permite isso, está vazia. Haverá Raves nos finais de semana com padres e pastores discotecando o Rock and Roll da eternidade: único estilo ainda vivo até amanhã, junto aos clássicos dos deuses que estão beethovendo tudo. Onírica presença.

Posso descansar um pouco, largar o pensamento com outros sonhos vãos? Juventude perdida é a que nascerá a partir desta hora. Já vêm ao mundo com ele se acabando, com tanto acabado, sabendo muito, compreendendo pouquíssimo. Construir o quê? A tendência para o caos inicial aparece tal um novo amanhecer desesperado. O pôr-do-astro fumegante continuará despertando nostalgia. Deixe-me então mergulhar na epiderme do ego, pois a coexistência estará arruinada cada vez que alguém disser isto. E mais isto. Sem nexo.

Eis o velho paradoxo do ancião infantil ou da idosa criança sobrevivendo na perspectiva da falta. Sem dentes, cabelo, auto-controle. THE END poderá significar "começo" na Torre de Babel com a cabeça-canoa virada para baixo. O dilúvio de outrora secará Tsunamis sem nome. Sem animais, sem mais, sem ânima. Até o fim!

2 comentários:

Renato Corleone disse...

tô mal com esse nosso fim. minha sofia tem 5 anos. quero ser pedra, barata, rato... não não...

fortes tuas palavras
beijão

Renato Corleone disse...

assim eu não consigo trabalhar...
como é que você consegue escrever assim?
- pera, chefe... tô lendo a última li...