Eu lá nasci pra esperar. E olha que eu cumpri os nove meses dentro da genitora que optou por cesariana. Minha maternidade, se virá, será tardia e normal. Assumo plena de certeza porque me precavejo sempre contra crianças. Enquanto não deixo um bendito fruto do meu ventre para o mundo, vou experimentando o quanto posso esses améns mundanos. Prazeres. Desejo: tudo o que uma barriga pode matar na mulher, assassinando mais ainda o lampejo do homem. Um parto priva, fora de hora, o participar intenso do mundo, pois este passa a girar em redor de um útero ocupado e do novo ser vivente então exposto. Surge a posse, as perdas, os bonequeamentos sobre o bebê, a ânsia inconsciente de torná-lo o que nem ousamos ser. Isto na maioria das vezes. Por isso eu quero ser o que puder, o quanto necessitar, a fim de não despejar no seio da minha criação rompantes de criador. Não preciso de um rei na barriga. Não almejo frustrar vidas, quanto mais a minha própria. E quem não se condoeu, doou-se, fala maravilhas acerca da pró-criação. Só que pouco me entusiasma ouvir a choradeira dos filhos de chocadeira pelo mundo das dores, Maria! Nem o menino Jesus se salva, reza ele que salvou toda a gente, embora eu acredite no Pai mais do que tudo. Prefiro ser má e terna a ser boa Amélia. E se for dar a luz, que seja a de uma lanterna!
10 de janeiro de 2009
5 de janeiro de 2009
Sonhatório

Pulei muro em sonho, escalei andares de prédio. Sempre fugindo, sempre fugindo. São estes os meus recorrentes do sub. Quando não é fera correndo atrás, é homem ruim trajado de alguma autoridade. Contudo sempre escapo, sou safa ao bater portas na cara, faltando pouco para o desconhecido me devorar. Daí me vem a sensação de cair da cama e acordo como se meu espírito voltasse pra dentro. Por que? Quando era criança, minha mãe dizia que eu estava crescendo. Mas e agora? Ouço de especialistas que o corpo só se expande até os 21 anos. Já passo disso, minha cronologia está de bom tamanho.
Livre sou em sonhos como todos, creio. Gosto de voar, nado sereiamente bem também, embora na realidade o meu pavor de afogamento me sufoque em qualquer piscininha mais ou menos funda. O que explica? Traumatizo e almejo aprender a nadar, por fim. Só não sei quando. Pressinto que devo me jogar mais ao profundo. É, acho que encontrei a tradução pra isso, sair da superfície de ser. Ser mais em mim ou ao menos começar a imaginar que sou um peixe sem tanto medo d'água, fora dela. E então, quando adentrar, poderei respirar o novo como se já me fizesse parte há um bom tempo.
30 de dezembro de 2008

Há de surgir uma estrela no céu cada vez que eu sorrir
Há de apagar uma estrela no céu cada vez que eu chorar
O contrário também pode acontecer de uma estrela brilhar quando lágrima cair
Ou então de uma estrela cadente se jogar só pra ver a flor do sorriso se abrir
Deus fará absurdos, contanto que a vida seja assim
Sim, um altar onde se celebre tudo o que Ele consentir
Há de apagar uma estrela no céu cada vez que eu chorar
O contrário também pode acontecer de uma estrela brilhar quando lágrima cair
Ou então de uma estrela cadente se jogar só pra ver a flor do sorriso se abrir
Deus fará absurdos, contanto que a vida seja assim
Sim, um altar onde se celebre tudo o que Ele consentir
(Adaptação para a canção ESTRELA, de Gilberto Gil)
15 de dezembro de 2008
Histórico Afetivo
Os Primeiros amores platônicosForam meninos, artistas, professores, fantasmas
Exercitaram a timidez de minhas descobertas
Eu cá comigo nas entranhas contemplando espelhos
Escrevendo cartas em cartilhas enfurnada no quarto
Crescente-mingüante, a ouvir livros, a ler músicas
Tudo em silêncio. Em liberdade da púbis, na puberdade.
Quando beijei em primeiro a ruiva e calva boca de Brasília
Foi a mais velha e mística, a mais controvertida
Gorda de literatura, pôs-me a palavra da poesia adentro
Esconderijo. Castraram-me na floração de meus princípios
Ósculos seguiram-se na espera, entre confusões cardíacas
Entre as provas dessa filosofia insincera.
Sobrepujei eras de aquário, acessei o mar da desordem
E o cyberespaço do novo, por vezes incomunicável.
De toda gente que via, preferia o mistério da distância
Assim troquei identificações com a santa ilha catarinense
E namorei codificada sem téte-a-téte por meses a fio
Até que o desbravador de lá aportou em minha terra
Provocou novo caos após curta bonança
Ademais, outros corpos se fundiram ao meu carnifício
Deram-me um prazer quase involuntário
Explorei o medo, a rua, o cenário da (des)ventura
O poeta alcoólico deu-me a maldição de sua proposta
Caí, então na teia de seus versos ciumentos, ridículos
Depois veio um artista outro, cores,
Deixei para depois o mais normal de todos
Depois e depois e depois mais liberdades
Viajei para as praias mais magníficas do mundo,
Conheci algumas cidades brasileiras, felicidades também
Fui a shows, dei shows e boas vindas às noites
Bebia pelo gosto de afrouxar minha loucura
E também para curar o vício de me apaixonar pelo acaso
Hoje descobri quem eu era, mas não o que sou
Ainda sou presa de novas esferas.
Finquei-me agora em relacionamento dura-d'ouro
É musical, sociável, não menos conflituoso, embora
Amadureço com ele a paciência de acertar o alvo
Quem sabe não acertemos o fruto
Que caiu na cabeça um do outro
Reproduziremos eurekas, mas renderemos frutos novos?
O tempo dirá, na distância aproximada do convívio
E na aproximação corpórea das almas
Através das quais somos vivos
CONSELHO PRÓPRIO INVENTADO:
Piegas, não te apiedas nunca do coitado
Parta para o coito, pense no parto, mas se previna
Ainda és menina, a mulher quem a fará será o seu Amado.
13 de dezembro de 2008
Ter um segredo me basta, da minha boca já saiu mais mosca do que entrou mosquito. A diferença é que não mais engulo sapo. Jogo sal na ponta da língua e costuro a boca da macumba. Virar príncipe não vira porque já é muito surreal. Se digo ou se confesso, o meu equívoco decerto será usado contra mim dentro ou fora do tribunal. Leis e liberdades. Se vivemos sem esta ou aquela, estamos todos mal fadados. Ser humano é o diabo! Acho que vou para uma colônia de férias na Babilônia tirar o meu atraso de vida entre chistes e pastiches insensatos!
1 de dezembro de 2008
A BEAUTIFUL MIND
I find you very attractive. Your aggressive moves toward me indicate that you feel the same way. But still, ritual requires that we go through a number of platonic activities before we have sex. I'm simply proceeding with those activities. But in point of actual fact, all I really want to do is have intercourse with you as soon as possible. You're gonna slap me now.
Does our relationship warrant long-term commitment? I need some kind of proof, some kind of verifiable, empirical data. Alicia: I'm sorry, just give me a moment to redefine my girlish notions of romance.
I don't exactly know what I am required to say in order for you to have intercourse with me. But could we assume that I said all that. I mean essentially we are talking about fluid exchange right? So could we go just straight to the sex.
Uma mente brilhante fálica e falível. Acima, uma passagem bem excêntrica do filme sobre o matemático John Forbes Nash Jr. Chego a me identificar com sua esquizofrenia humanóide aguda, embora seja ou esteja sã em consciência desde que me entendo por fêmea. É tragicômico, é natural. E olha que meu teorema sobre a vida ainda não foi descoberto. Quem sabe no final?
26 de novembro de 2008
3 de novembro de 2008
Identificação com a liberdade
There is a pleasure in the pathless woods;
There is a rapture on the lonely shore;
There is a society, where none intrudes;
By the deep sea, and music in its roar:
I love not man the less, but Nature more…
Lord Byron (1759-1824)
Há nas matas cerradas um prazer
Há nas encostas solitárias um arrebatamento,
Há sociedade, onde ninguém pode intrometer,
Pelo mar profundo e música em seu lamento:
Eu não amo menos ao Homem, mas à Natureza mais...
O divino e a natureza se fundem através do filme "Into the wild" de Sean Penn. Um jovem recém-formado decide quebrar os laços com o carreirismo que o espera depois das suas atividades acadêmicas e lançar um périplo pelos EUA. Ele deseja trocar tudo o que a sociedade urbana espera e dá a um jovem nas suas condições por um único bem: a verdade. E a verdade para Christopher McCandless está à sua espera na mãe-natureza. ENTREGA ABSOLUTA.
Leitor assiduo de Jack London e Tolstoi, encarna um personagem profético e de carisma messiânico que deixa um rastro de amor por onde passa. Existe um sentimento latente entre os outros que cruzam com ele: uma ausência e um vazio. McCandless numa peregrinação transamericana adota o nome de Alex Supertramp (Super Vagabundo). Preenche com esta esperança o vazio dos outros. Um filme que foge à gramática narrativa hollywoodiana, usa da descrição e de referências estéticas e éticas.
Se não houver terra no Céu, mais vale não haver Céu.
Ter assistido a este filme me impeliu tanto à busca por minha humanidade quanto na vez em que li On The Road, do Kerouac. Somo a arte então aos meus intentos e me inspiro numa provável libertação do óbvio. Quero também revelada a minha NATUREZA SELVAGEM!
29 de outubro de 2008
R-exist-ENTE
De repente enjoei de falar tanto de mim, procurarei narcisar bem menos, teatralizando certas nuanças a fim de não me perder em obviedades tão cruas. Leio filosofia existencialista como quem não tem dinheiro para bancar psicanálise. Sofri há pouco uma náusea qualquer de ser humano, convencendo-me que me manterei viva por um longo tempo, sem me render ao fazer algo por querer, mas sim querer de verdade tudo o que decidir fazer.
Meus olhos pesam com a hora, mas o silêncio é tão agradável que me converto às madrugadas atuando mais que em dias solares. Sei dos malefícios, até estou doente por esses dias. Tomei uma gripe emprestada de um livro empoeirado. Devo me preservar ao máximo para também extravasar em excessos no final de semana. Nunca levei meus finais de semana tão em conta quanto agora. Se eu não saio, indisponho-me, é estranho. Se bem que... Qual comportamento meu eu mesma não estranhe? Avalie os outros. Garanto já ter me importado mais com isso.
No momento também ando assustada com a quantidade de tempo ao lado de uma pessoa do sexo oposto. Encantamentos, cenários novos, gente. Esse relacionamento me aciona os tímpanos como nenhum outro. Isto pelo envolvimento com a música. O cheiro dele é muito bom, o tato idem. Conversamos e discutimos bastante acerca da vida. Aprendo, expresso-me bem mais que antes. Ganhei novos coloridos, embora minha oscilação melancólica persista. Remediar me basta. Que venha a entrega.
Meus olhos pesam com a hora, mas o silêncio é tão agradável que me converto às madrugadas atuando mais que em dias solares. Sei dos malefícios, até estou doente por esses dias. Tomei uma gripe emprestada de um livro empoeirado. Devo me preservar ao máximo para também extravasar em excessos no final de semana. Nunca levei meus finais de semana tão em conta quanto agora. Se eu não saio, indisponho-me, é estranho. Se bem que... Qual comportamento meu eu mesma não estranhe? Avalie os outros. Garanto já ter me importado mais com isso.
No momento também ando assustada com a quantidade de tempo ao lado de uma pessoa do sexo oposto. Encantamentos, cenários novos, gente. Esse relacionamento me aciona os tímpanos como nenhum outro. Isto pelo envolvimento com a música. O cheiro dele é muito bom, o tato idem. Conversamos e discutimos bastante acerca da vida. Aprendo, expresso-me bem mais que antes. Ganhei novos coloridos, embora minha oscilação melancólica persista. Remediar me basta. Que venha a entrega.
16 de outubro de 2008
16/fevereiro/1985
28 de setembro de 2008
Behind Blue Eyes

No one knows what its like to be the bad man
Ninguém sabe como é ser o cara mal
To be the sad man behind blue eyes
Ser o cara triste por trás de olhos azuis
No one knows what its like to be hated
E ninguém sabe como é ser odiado
To be fated, to telling only lies
Ser destinado a apenas mentir
But my dreams they aren’t as empty
Mas meus sonhos não são tão vazios
As my conscience seems to be
Quanto minha consciência parece ser
I have hours only lonely
Passo horas sozinho
My love is vengeance that’s never free
Meu amor é uma vingança, isso nunca é de graça
No one knows what its like to feel these feelings
Ninguém sabe como é sentir estes sentimentos
Like I do and I blame you
Como eu sinto e a culpa é sua
No one bites back as hard on their anger
Ninguém ferroa tão ferozmente em sua ira
None of my pain and woe can show through
Nenhuma das minhas aflições podem transparecer
When my fist clenches, crack it open
Quando meus punhos cerrarem, quebre
Before I use it and lose my cool
Antes que eu os use e perca a calma
When I smile, tell me some bad news
Quando eu sorrir, dê-me algumas notícias ruins
Before I laugh and act like a fool
Antes que eu sorria e aja como um tolo
If I swallow anything evil
E se eu beber de algo maligno
Put your finger down my throat
Enfie seu dedo na minha garganta
If I shiver, please give me a blanket
Se eu tremer me dê seu cobertor
Keep me warm, let me wear your coat
Mantenha-me aquecido, deixe-me usar seu casaco
THE WHO
25 de setembro de 2008
OLOR
As pupilas todas estão arreganhadas.
Quem não for analfabeto de alma que me leia.
Acato interpretações diversas, já que diversa também sou.
E livre. Há livros!
Não se prenda a um único foco, abstraia mesmo, sem te deixar trair por obviedades.
Venha, pode meter o dedo.
Tuas digitais me discriminam enquanto eu te delato,
deleito ou deleto.
Vai depender do hábito.
Flores. Sim, eis o meu cheiro.
E o que exala aos outros não é da minha alçada.
Cada qual com sua essência.
Para as rosas, escreveu alguém, o jardineiro é eterno.
O que me iguala aos seres de sexo feminino é justo o mesmo par de orelhas, mas nunca o mesmo par de brincos.
O que me assemelha aos animais de sangue quente
é que não tenho sangue de barata.
Sou cara, custe o que custar.
Preparado(a)? Então sejas bem-vindo(a)!
Decerto teremos muito o que compartilhar.
Mas diga antes a que veio,
pois ainda não foi me dado o poder de adivinhar.
10 de setembro de 2008
CAOS-ANDO
Ser de esquerda nem sempre descamba para política. Sou canhota por hábito, opção pelo avesso das coisas. Já a mancha rubra no dedo indicador esquerdo é de nascença. Pulseira de prata também, presente do meu enamorado em dia especial. Ele também usa em sinal de comunhão. Minhas unhas longas devo cortar, pois estou reaprendendo a tocar teclado. Aquariana com ascendente em Áries talvez se caracterize pelo vanguardismo abstrato com ousadia teimosa. Acho que minha timidez se justifica por preguiça. Penso muito e certas convenções sociais me cansam. Já raspei a cabeça em momento de fúria. Foi melhor do que cortá-la. Durmo demais e demenos. Viro a madrugada, quando posso. Crio música. Faço cores, colagem. Fotografia do inusitado. Dança e caminhada. Ócio bebido com cerveja. Oração secreta quando vem a ameaça de perigo. Espiritualizada? Observo antes de servir. Sou taquicardia pura quando traída pelo amigo. Surrealiso no jogo de palavras. Incompletude. Pernas inquietas, o balanço é feio e frequente, confesso. Finco canto de boca quando fico com raiva. Quebra de gelo. Medo de nado. Prefiro a tarde. Sem despertador. Filmes na mente. Histórias por fazer. Livros a ler em primordial, se publicar não sei. Prestes à formatura. Conflito materno, brigo e apaziguo. Só uma avó viva ainda. Miopia. Tendência para engordar, mas só a barriga. Viagens me dão um gás. Desaprendi matemática. Sem comida pesada. Mensagens de celular são melhores que falar. Já recebi buquê de flores em dia péssimo de aniversário e me mantive péssima. Chamaram-me de senhora. Tenho sorte. Assaltada. Sem cólicas menstruais. Arredia. Namoradeira. Voz grave. Bem educada. Aprecia solidão. Mal atende telefone. Óculos de grau e escuros. 1cm a menos em perna direita. Leve escoliose. Nunca praticou exercícios físicos por mais que 3 dias. Neologista. Mais britânica que brasileira. Aprecia exotismos. Amigos gays. Mente aberta. Vacinada. Sem filhos. Optaria por menino. Quero criar um gato. Preciso ir à praia. Suo pouco. Tomo suco. Mania de perseguição. Abraço mais que beijo. Lentidão. Revolta sem tamanha causa. Pessimista. Olheiras. Crises de riso. Ciúmes. Generosidade. Incertezas. Uma vida. Toda pela frente. Ente querida. Amém! Doada.
28 de agosto de 2008
Síndrome Disfólica
Sala de espera em consultório gineco-lógico. Muitas velhas falantes a compensar falta de sexo com nexos circuncisivos. Outras folheiam revistas. Se tem outro algo que me irrita é o ar-condicionado forte, além dos olhares de esguio.
Há um quadro tão bonito à minha frente! Uma moça alva envolta em roupão florido a escrever numa espécie de livro, talvez um diário. Os cabelos partidos ao meio em tom acastanhado se misturam à cor da colcha e almofadas onde ela se de(lê)ita. Nada mais feminino. Enigmático.
Sinto-me assim, só que ao invés de estar enleada às flores desenhadas nos lençóis, descrevo sozinha minhas impossibilidades como mulher. Quero tanto e não sei o quê. Tenho a impressão de que a felicidade ainda restante em mim se inunda de medo.
Amo, mas agora de pouco abdico. Sou tão indivi-dual que quando me extendo no outro me modifico, fico arraigada a ele feito lodo escorregadio. Estou e não estou. Contida, encontro o inimigo. Este se esvai, imaginário. Ríspida sou com quem amo. Defesa. Represa para líqüidos que emprenham a libido. Desconcentro no positivo, meu polo é negro.
Não quero ter filha porque já sou. Quero filho para daqui a uns vinte anos. Nada de prender seres por nove meses na barriga, basta meu rei lá habitando, importunando dores com seu cajado no meu ego. O tempo vai recau-chutá-lo para então dar vazão à vida. Ainda dói no estômago, ácido âmago. Amargo ímpeto de assumir e cobrar-me a todo instante. Espelho embaçado. Ando respirando muito, em fogo ofegante. Entre um sufoco e outro, um estravazo.
É o sangue que brota no útero e que se esvai. O mês me marca, o ano passa rápido felizmente demais.
Há um quadro tão bonito à minha frente! Uma moça alva envolta em roupão florido a escrever numa espécie de livro, talvez um diário. Os cabelos partidos ao meio em tom acastanhado se misturam à cor da colcha e almofadas onde ela se de(lê)ita. Nada mais feminino. Enigmático.
Sinto-me assim, só que ao invés de estar enleada às flores desenhadas nos lençóis, descrevo sozinha minhas impossibilidades como mulher. Quero tanto e não sei o quê. Tenho a impressão de que a felicidade ainda restante em mim se inunda de medo.
Amo, mas agora de pouco abdico. Sou tão indivi-dual que quando me extendo no outro me modifico, fico arraigada a ele feito lodo escorregadio. Estou e não estou. Contida, encontro o inimigo. Este se esvai, imaginário. Ríspida sou com quem amo. Defesa. Represa para líqüidos que emprenham a libido. Desconcentro no positivo, meu polo é negro.
Não quero ter filha porque já sou. Quero filho para daqui a uns vinte anos. Nada de prender seres por nove meses na barriga, basta meu rei lá habitando, importunando dores com seu cajado no meu ego. O tempo vai recau-chutá-lo para então dar vazão à vida. Ainda dói no estômago, ácido âmago. Amargo ímpeto de assumir e cobrar-me a todo instante. Espelho embaçado. Ando respirando muito, em fogo ofegante. Entre um sufoco e outro, um estravazo.
É o sangue que brota no útero e que se esvai. O mês me marca, o ano passa rápido felizmente demais.
19 de agosto de 2008
ESFINGIDA
De aparente mau-humor e arrogância, oculto sorrisos e uma timidez dissonante no peito. Quase tudo me arde, portanto, quando explodo, bebo a vida em gargalhos de garrafas com muita sede. Deleito com a história dos outros, com os invulgares poetas, agradando-me da força dos vividos que não me reclamam falsas paisagens. Proféticas?
Dotada de uma predisposição ferrenha à preguiça, agito almas quando canto, em contraponto. Não relaxo. Sofro de síndrome das pernas inquietas. Corro esquisito. Sou canhota, mas direita moça.
Eu me literaturo, mas prefiro a mescla de todas as artes, sem deixar de saborear a vida dos loucos por outras bocas. Meu senso é non assumido. Só sumo às vezes para reparar um pouco no sagrado.
Respeitando o meu tempo, posso aprender o novo muito rápido. Sirva-me um destilado, um deste outro, que me sinto bem. Sento pelos cantos para ter a visão do todo no espaço. Sirvo ao universo doando e condoendo liberdades.
Leia meu livro pouco falado, que ensinuo o resto no colorido desses gestos tal porta-retrato. A indigestão é por tua conta. Boa sorte aos amigos e boa morte aos condenados!
Dotada de uma predisposição ferrenha à preguiça, agito almas quando canto, em contraponto. Não relaxo. Sofro de síndrome das pernas inquietas. Corro esquisito. Sou canhota, mas direita moça.
Eu me literaturo, mas prefiro a mescla de todas as artes, sem deixar de saborear a vida dos loucos por outras bocas. Meu senso é non assumido. Só sumo às vezes para reparar um pouco no sagrado.
Respeitando o meu tempo, posso aprender o novo muito rápido. Sirva-me um destilado, um deste outro, que me sinto bem. Sento pelos cantos para ter a visão do todo no espaço. Sirvo ao universo doando e condoendo liberdades.
Leia meu livro pouco falado, que ensinuo o resto no colorido desses gestos tal porta-retrato. A indigestão é por tua conta. Boa sorte aos amigos e boa morte aos condenados!
14 de agosto de 2008
LAVA

Sempre me relacionei com monstros humanos. Acuada, passei boa parte da minha infância inventando amigos e a maior parte da adolescência criando namorados. Platonismos repercurtidos em cativeiro casto. Isto porque todos os meninos considerados normais, pelos quais me interessava, sequer olhavam para mim. Dos colegas de classe, com poucos conversava. Poucos, na verdade, é que tinham classe ou bom gosto poético. Por isso eu preferia a solidão do amplo quintal da primeira casa onde habitei com meus maus hábitos. As plantas me pintavam o olhar de esperança, aquele cheiro de terra refrescada pela brisa me inundava de alívio. Minha mãe, que passava o final da tarde e início da noite molhando a grama, dizia que não podia enxaguar os viçosos vegetais enquanto o sol estivesse batendo por ali. Assim, vésper e demorada nos cuidados, evitava deixarem-se crispar as plantas, muitas ela ressucitava com adubo novo.
10 de agosto de 2008
Ela que sou eu

Aquariana com ascendente em Áries. Tez alva, olhar distante e arzinho blasé. Loira de cabelos crespos, íris esverdeadas e boca bem desenhada que canta, palestra, mas silencia bem mais. Possui bom ouvido para música, boas conversas. Três furos nas orelhas para brincos, sendo dois na esquerda. Canhota com destreza para trabalhos manuais. Unhas longas, inquebrantáveis. Míope, usa óculos, evita-os quando há maquiagem. Nunca usou blush ou rouge, tem as maçãs do rosto natualmente rosadas. É sardenta nas costas. Ainda não dirige, anda de ônibus e pega carona com amigos. Usa pouco vestido, prefere calça jeans, tênis e camiseta.
Gosta do preto, da prata, da chuva, da lua, mas sonha colorido. Lê filosofias, observa bobagens. Mística, já viu sol inflando e se pondo à meia-noite. Tem crises de riso de vez em quando. Gosta de voar de avião e de imaginação mais do que tudo. Almeja trabalhar em casa e ter um PC de uso exclusivo. Faz freelas para descolar uma grana. Mexe com linguagens. Mal vai à praia, só que quer ter casa lá um dia. Não pensa em filhos, prefere gatos e cachorros a criar. É generosa, gosta de ajudar. Irrequieta nos pensamentos, necessita se organizar. Precisa de um empurrão às vezes para começar. Pura preguiça intelectualóide aguda.
Aprecia o que vem da Irlanda, pretende ir para lá. Costuma conversar em inglês consigo mesma. Ouve MP3 na rua. Interessa-se pelo teatro. Tem um lado performático implícito. Já foi mais tímida, usou aparelho nos dentes e teve uma porção de amores platônicos na escola. Depois que emulheresceu, deu para namoradeira. Opta por andar longas distâncias solitária quando triste. Está inserida no mundo do Rock sem tamanhas pretensões ou incursões psicodélicas. Cursa Letras, falta pouco para se formar, talvez siga professora. Alcoólica bate papo melhor. E dança bem. Vai ao cinema só quando dá vontade. Fuma raramente. Gosta mais de estranhos hoje que antigamente, também estranha era. Fala em 3a pessoa agora para mascarar estas profecias. Dizem que está feliz, tocando suas artes múltiplas até atingir mais orgasmos bem acompanhada. É que a vida a chama, a chama toma seu corpo, uma afogueada completa.
Ela vai, corre, impacienta, depois dorme de cansada sobre a pança. Acorda, tem fé no taco, no Tarco e quando se pesa dá 54kg. Tem perna direita mais curta alguns cm, acha ter sido abduzida na cama, introjetaram microchip nela. Não é alta, mede 1,62m dos pés à cabeça, mais alguns metros de alma. Adora conhecer gente que a povoe de novas descobertas. Chega com jeito, que ela se agrada. Detesta qualquer cerimonialismo, embora faça cerimônia até para pedir um copo com água. Expressa-se com mais verdade perto do informal. Ela vai dominar o mundo e ainda te convidar para uma partida, vai ver... Muito prazer, encantada!
Gosta do preto, da prata, da chuva, da lua, mas sonha colorido. Lê filosofias, observa bobagens. Mística, já viu sol inflando e se pondo à meia-noite. Tem crises de riso de vez em quando. Gosta de voar de avião e de imaginação mais do que tudo. Almeja trabalhar em casa e ter um PC de uso exclusivo. Faz freelas para descolar uma grana. Mexe com linguagens. Mal vai à praia, só que quer ter casa lá um dia. Não pensa em filhos, prefere gatos e cachorros a criar. É generosa, gosta de ajudar. Irrequieta nos pensamentos, necessita se organizar. Precisa de um empurrão às vezes para começar. Pura preguiça intelectualóide aguda.
Aprecia o que vem da Irlanda, pretende ir para lá. Costuma conversar em inglês consigo mesma. Ouve MP3 na rua. Interessa-se pelo teatro. Tem um lado performático implícito. Já foi mais tímida, usou aparelho nos dentes e teve uma porção de amores platônicos na escola. Depois que emulheresceu, deu para namoradeira. Opta por andar longas distâncias solitária quando triste. Está inserida no mundo do Rock sem tamanhas pretensões ou incursões psicodélicas. Cursa Letras, falta pouco para se formar, talvez siga professora. Alcoólica bate papo melhor. E dança bem. Vai ao cinema só quando dá vontade. Fuma raramente. Gosta mais de estranhos hoje que antigamente, também estranha era. Fala em 3a pessoa agora para mascarar estas profecias. Dizem que está feliz, tocando suas artes múltiplas até atingir mais orgasmos bem acompanhada. É que a vida a chama, a chama toma seu corpo, uma afogueada completa.
Ela vai, corre, impacienta, depois dorme de cansada sobre a pança. Acorda, tem fé no taco, no Tarco e quando se pesa dá 54kg. Tem perna direita mais curta alguns cm, acha ter sido abduzida na cama, introjetaram microchip nela. Não é alta, mede 1,62m dos pés à cabeça, mais alguns metros de alma. Adora conhecer gente que a povoe de novas descobertas. Chega com jeito, que ela se agrada. Detesta qualquer cerimonialismo, embora faça cerimônia até para pedir um copo com água. Expressa-se com mais verdade perto do informal. Ela vai dominar o mundo e ainda te convidar para uma partida, vai ver... Muito prazer, encantada!
5 de julho de 2008
55

Fiquei um tempo a mais na cama, esperando algo despertar em mim para que eu levantasse de pronto e disposta a dar um bom abraço no aniversariante de hoje. Ele merece tanto, porque me dá tanto, que eu fico até sem graça por não ter algo material a simbolizar minha gratidão por completo, um presente que o pusesse a sorrir bem recompensado.
Preparei o espírito e caminhei até a sala, para perto do seu sofá dileto. E lá estava ele em seu cochilo, um livro ao lado, no chão, com seus óculos para perto sobre a capa colorida. Fiquei receosa por um minuto, voltei ao meu quarto. Depois, decidida, fui lhe falar, aproveitando o momento a sós. Cotucões com a voz o fizeram erguer-se solícito a me contemplar, então o abracei forte com corpo e palavras. Disse que o amava, que o amo, desejei que este novo ano somado às suas experiências lhe propiciasse mais perseverança nos atos, alegrias. Ofertei-lhe canções, em seguida. Um singelo CD com alguns álbuns de música popular.
Se tenho bom gosto musical, devo isto ao meu melhor amigo. Discos, sonoridades, coleções entremeando nostalgia, culturas de gerações passadas com uma mescla de futuro promissor a mim, uma mulher bem formada, mas ainda em maturação constante, pela educação propiciada, livre, diria até abençoada. É certo que nos tempos de hoje, citadinos e fugazes, mal se peça a bênção aos genitores porém, hoje, dia 5 de Julho, a meu pai menino de 55 anos renderei graças.
Sim, meu pai talvez não demonstre a idade na aparência porque sempre o seu bom espírito o rejuvenesce. E ao contrário de lhe pedir, hoje quero lhe render bênçãos, benesses e mais vida, tudo isso porque ele me ajudou a vir ao mundo e a conhecer mundos novos no ser humano.
Preparei o espírito e caminhei até a sala, para perto do seu sofá dileto. E lá estava ele em seu cochilo, um livro ao lado, no chão, com seus óculos para perto sobre a capa colorida. Fiquei receosa por um minuto, voltei ao meu quarto. Depois, decidida, fui lhe falar, aproveitando o momento a sós. Cotucões com a voz o fizeram erguer-se solícito a me contemplar, então o abracei forte com corpo e palavras. Disse que o amava, que o amo, desejei que este novo ano somado às suas experiências lhe propiciasse mais perseverança nos atos, alegrias. Ofertei-lhe canções, em seguida. Um singelo CD com alguns álbuns de música popular.
Se tenho bom gosto musical, devo isto ao meu melhor amigo. Discos, sonoridades, coleções entremeando nostalgia, culturas de gerações passadas com uma mescla de futuro promissor a mim, uma mulher bem formada, mas ainda em maturação constante, pela educação propiciada, livre, diria até abençoada. É certo que nos tempos de hoje, citadinos e fugazes, mal se peça a bênção aos genitores porém, hoje, dia 5 de Julho, a meu pai menino de 55 anos renderei graças.
Sim, meu pai talvez não demonstre a idade na aparência porque sempre o seu bom espírito o rejuvenesce. E ao contrário de lhe pedir, hoje quero lhe render bênçãos, benesses e mais vida, tudo isso porque ele me ajudou a vir ao mundo e a conhecer mundos novos no ser humano.
19 de junho de 2008
in 'A Paixão Segundo G.H'
"Enfim, enfim quebrara-se realmente o meu invólucro, e sem limite eu era. Por não ser, era. Até ao fim daquilo que eu não era, eu era. O que não sou eu, eu sou. Tudo estará em mim, se eu não for; pois 'eu' é apenas um dos espasmos instantâneos do mundo.
Minha vida não tem sentido apenas humano, é muito maior - é tão maior que, em relação ao humano, não tem sentido. Da organização geral que era maior que eu, eu só havia até então percebido os fragmentos. Mas agora, eu era muito menos que humana - e só realizaria o meu destino especificamente humano se me entregasse, como estava me entregando, ao que já não era eu, ao que já é inumano.
E entregando-me com a confiança de pertencer ao desconhecido. Pois só posso rezar ao que não conheço. E só posso amar à evidência desconhecida das coisas, e só me posso agregar ao que desconheço. Só esta é que é uma entrega real".
Clarice Lispector
10 de junho de 2008
ÍRIS RASGADA

Desóbvia, brotei da desova de sereias para cantar histórias profundas. Quem não se afoga nelas é porque pássaro se fez pelos ouvidos.
Meu silêncio planta bananeira e, quando sem eira, dá bananas para os imorais mortos de fama.
Experiencio no álcool, na conversa com humanos há anos. Luz? Tenho própria, satélite natural de mim, brilho nos olhos ante as novidades.
Dia desses vi dançar estrela na cadência de um rock progressivo e sonhei com meus vinis tais anéis de planetas distantes. Eles se foram, restaram meus dedos. Soturnos sometimes.
Hoje toco teclados, um soa feito trilha sonora de filme Sci-Fi e o outro mais parece máquina de escrever, só que virtual. De virtuose, tenho a intenção. Esta é boa porque comunica. Tenho espaço, sou grata e sideral, literal e literária.
Mel, o dia, a do contra, o que dança.
Eis o meu espírito limpando a vista para ver melhor depois do ocaso. E não por acaso, você me encontra por aí, numa espécie de Deja Vù ancestral.
27 de maio de 2008
Cara pulsa
Não esperem de mim a carapaça da alegria em razão do meu sorriso fácil, nem aquela melancolia profunda, nem o mais ácido sarcasmo. Eu sou justo um somatório destes inusitados no sanatório de loucos indecifrados correndo de um lado a outro aos gritos e trancos. De barrancos já caí, porque demais me dei para os trancados.
Mas não pense que vou te dar além do alento, nem vou exigir. Meu bem se esgota à gota e mina meu sim. Faça uma força, torça contra o inimigo, não faça média, arrisque uma grande. Ninguém vai precisar de si no fim...
Mas não pense que vou te dar além do alento, nem vou exigir. Meu bem se esgota à gota e mina meu sim. Faça uma força, torça contra o inimigo, não faça média, arrisque uma grande. Ninguém vai precisar de si no fim...

Sinta-se desconvidado a vestir minha carapuça. Nasci nua em um mundo cheio de más caras. Sou, portanto, a boa pervertida que verte bla-blá-blás fêmeas aos machos necessitados de prazer espiritual. Não vim para jogar, apenas palavrar sensações, para lavar a roupa da sinhá-vida-moça.
18 de maio de 2008
Serei este ser metamorfo e social cheio de dúvidas e vazios necessários. (Silêncio)Completude é momento, movimento é inconstância.
Tal a Lua, prefiro ter de me submeter ao Sol iluminando em parte a noite, que permanecer no total obscuro.
Sensível me ponho não por virtude, mas por falta da cura nesse mundinho pesado, que de tanto quicar, achatou-se nos polos sem mais surpreender ou inovar. Peles se crispam no prazer ou no racismo. Sexualidades se regozijam ou se deploram. Mentalidades comungam ou extrapolam.
Tudo isso porque o ser humano é pouco.
Nada cala porque muito chora. (Som)
Lembra da primeira reação ao caíres para fora de um útero?
Então aguarde-a também para o final.
Ser circular enfada também e eu não vou repetir o erro feito um cachorro louco correndo atrás da própria cauda.
Antes fôssemos linearmente infindos, que quadrados óbvios.
Jogue o dado para cima e deixe cair um número.
Ímpar, porque parcial não hei de ser sem rosto.
A minha liberdade só é vã pelo saber.
Ingenuidade é a real sabedoria.
O muito conhecer só atormenta.
Se eu fosse agora árvore ou criança saberia definir felicidade com a mesma precisão que o vento.
O ignorante é quem de fato vive sem se dar conta do perigo.
Idéias matam. Mas eu sobrevivo.
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